5º COMUM ANO B
“Foi para isso que eu vim!”
Palavra da Liturgia – Marcos 1, 29-39
Celebremos o motivo pelo qual Deus se fez homem e habitou entre nós!
A leitura deste final de semana inicia trazendo a mensagem que Jesus está presente em nossa vida de forma pessoal e familiar. Por isso Jesus sai da Sinagoga e entra na casa de Simão e André. Jesus participa da vida pessoal de cada um de seus discípulos. Não é o Deus que está preocupado ou agindo somente nos centros religiosos, mas principalmente no dia a dia de cada um.
O termo “casa” na bíblia significa família. Uma igreja familiar. Longe da “cultura do Templo”. O Templo deve abraçar urgentemente a “cultura da igreja família”. Também não adianta apenas “igreja familiar” se esta segue as mesmas práticas do templo onde as pessoas insistem em manter suas respectivas condições dando sobrevivência às mesmas tensões e comodismos.
A “igreja familiar” é um lugar onde todos são importantes e cuja figura do patriarca (pai) é de incentivo e comprometimento com seus filhos. E o maior desafio de todos: afastar Mamom.
Nossas igrejas possuem administradores que as conduzem como se fossem comerciantes. É escandaloso o comércio que impera em nossas comunidades. Se vende tudo até a promessa de ser feliz em troca de bênçãos. A competência de um pai é medida na proporção em que ele lucra ou quanto ele constrói. Na “igreja familiar” o pai precisa ser aquele que ama e, portanto educa seus filhos para o temor a Deus e não para interesses mesquinhos.
Ao entrar na casa de Pedro e André, Jesus encontra a sogra de Pedro enferma! Ordena que ela seja curada e tomando-a pela mão levanta-a. A febre a deixou e então se pôs a servi-los. O discípulo tem família e tem uma história. O bom pastor conhece suas ovelhas! Se um pastor não conhece nem seus discípulos quiçá conhecerá seu povo!
O verdadeiro fruto da graça recebida em nossas vidas é a retribuição. Não a retribuição escandalosa de quanto a pessoa pode pagar pela graça recebida e sim a retribuição de quem encontrou a graça e de graça quer oferecer a quem precisa.
Jesus é a Boa Nova! Cura em dia de sábado, uma transgressão ao preceito do repouso sabático. Eis a novidade que Ele traz: o serviço à vida abolindo o legalismo que mata.
Porém o povo só O procura depois do pôr do sol quando termina o sábado, com receio das autoridades. A mudança se faz de forma progressiva e lenta!
Ao anoitecer muita gente se ajuntou à porta. A porta que simboliza o início (entrada) do acolhimento!
Levaram todos os doentes da cidade e Jesus os libertou. Quem se aproxima de Jesus encontra a cura e libertação das suas doenças.
Quantos Templos Jesus construiu com sua popularidade? O mundo não precisa de Templos, precisa de uma igreja que ama, que realmente reza de coração e que seja transformadora de uma sociedade justa. Em uma comunidade não pode haver templos luxuosos, faraônicos enquanto houver um fiel passando necessidades. Haja vista quantos templos obsoletos e ao redor um povo que desacreditou na igreja. Os filhos interesseiros de hoje serão os incrédulos de amanhã.
Jesus não era um populista e nem queria ser reconhecido como tal. Não era um fazedor de milagres. Sua missão era muito maior. Veio para mostrar a Justiça, revelar a face de Deus Pai! Veio para nos mostrar que Deus é amor! Derrubar todos os paradigmas que nos afastam de Deus! Por isso saiu rumo a um lugar deserto para orar. A ação apostólica e a oração se completam.
Os discípulos o encontram e dão o aviso que muitos o procuravam. Toda pessoa de oração é desejada.
Jesus não é uma posse de poucos. Nenhuma religião ou pessoa detém o domínio exclusivo e particular de Jesus. Por isso Jesus foi para outras redondezas: para as periferias e as aldeias onde os excluídos habitam para proclamar a Boa-Nova.
Jesus é o libertador dos males da humanidade. Libertou-nos na cruz com sua própria vida de todos os males. Revelou-nos que Deus é Amor! Que Deus está conosco! Ele é o pastor que dá a vida!
Nesta Eucaristia deixemos-nos ser curados por Jesus! Precisamos urgentemente de uma igreja sadia! Uma igreja onde Jesus e suas atitudes sejam o centro da fé. Que essa cura seja principalmente da alma!
Gilberto Ângelo Begiato
gilberto@comunidadebompastor.com.br
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