quarta-feira, 26 de julho de 2017

Conheça nossa comunidade


Somos uma entidade religiosa católica definida como Comunidade de Aliança aguardando aprovação da Igreja, com aproximadamente cinqüenta membros que se reúnem periodicamente para formação.

Temos como carisma o Acolhimento baseado na tríplice dimensão: acolher é evangelizar, acolher é formar e acolher é amar.

Através deste carisma procuramos exercer o acolhimento evangelizando, formando e levando cidadania a quem precisa.

Somos considerados como uma comunidade de aliança. Nos reunimos em nossa casa e depois partimos para as diversas missões.

Fundamos em 24/11/2002 Dia do Cristo, Rei do Universo.

1. NOSSA HISTÓRIA

A Palavra

Tudo começou com a palavra de Deus tirado de Ezequiel 47, onde através desta palavra Deus nos chamou a mergulharmos em águas mais profundas, quando li esta passagem o meu interior se encheu de uma profunda vontade de se atirar em Deus e viver de forma ousada sua Palavra. Foi numa oração de madrugada onde senti no coração a voz de Deus que me pediu para abrir as Sagradas Escrituras. Ao abrir a Bíblia nesta passagem, algo muito forte aconteceu em meu interior. Tive que ler diversas vezes para entender o que Deus estava querendo demonstrar através desta passagem. Sentia uma voz interior muito forte dizendo: “profeta, mergulha em águas mais profundas”. Isto aconteceu no ano de 2001 (não me recordo o mês). 

Só após alguns anos tive o entendimento que esta palavra estava em consonância com o apelo do Papa João Paulo II através do CARTA APOSTÓLICA NOVO MILLENNIO INEUNTE no qual o papa apela para que a igreja mergulhe em águas mais profundas « fazer-se ao largo » para a pesca: « Duc in altum » (Lc 5,4). Pedro e os primeiros companheiros confiaram na palavra de Cristo e lançaram as redes. « Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe » (Lc 5,6). Por diversos dias e insistentemente ouvia esta voz interior me ordenando ler esta passagem. Daí pra frente, Deus foi falando mais profundamente em meu coração, foi quando às quatro horas da manhã em minha oração pessoal pedi a Deus que conduzisse meu chamado a este pedido de mergulhar para as águas mais profundas e começasse pelo meu trabalho. Explico melhor, eu tinha uma padaria e trabalhava de segunda a segunda-feira sem descanso (o que explica minhas orações de madrugadas), então disse a Deus que se Ele quisesse mesmo que eu atirasse em águas profundas que colocasse a mão em meu trabalho e me levasse para outros caminhos, onde pudesse viver seu novo chamado em minha vida. 

Neste período estava construindo minha casa, onde moro hoje, e só tinha um desejo em meu coração, que após mais de vinte anos à frente do Movimento Carismático, fui um dos pioneiros deste movimento na Diocese, e coordenando um grupo que contava com mais de mil pessoas, Grupo Oração Bom Pastor II, eu só queria me afastar de tudo e como dizia “encostar meu burrinho na sombra”. Mas esta palavra me fez reavivar novamente em mim um ardor missionário muito grande. Uma alegria enorme me envolveu e um desejo de responder ao apelo de Deus. Mas não conseguia entender que apelo era este. Tinha certeza que não era em uma paróquia ou mesmo no Movimento Carismático. Era um apelo Novo para algo Novo. 

Entre algumas orações que pedia discernimento para Deus, eu ouvi uma voz interior que me dizia que meu irmão mais novo (era sócio comigo na padaria), pedindo para que vendêssemos a padaria, inclusive vi que ele estaria em pé diante do balcão fazendo esta sugestão. O que ocorreu alguns meses depois e naquela posição e no mesmo lugar que vi em frente do balcão. Eu havia acabado de construir minha casa e eu e minha família iríamos nos mudar. Neste tempo também em minhas orações ouvia Deus falar em meu interior se eu O amava mais que o povo do Grupo de Oração (eu amava muito aquele povo e era apegado a eles), então Ele me dizia para renunciar aquela missão, pois tinha algo novo em minha vida. Esta oração foi confirmada por uma senhora intercessora Dona Dirce que gostava muito de mim e sempre dizia para não abandonar o grupo, mas um dia ao rezar comigo ela virou e disse: “Filho, Deus me mostrou que chegou a hora de sua partida, que deve obedecer sua vontade”. 

Comecei a orar ainda mais com intensidade e perguntar a Deus o que Ele realmente queria e então com muito sacrifício fui compreendendo que meu amor por Deus, antes deste chamado, estava esfriando e chegando bem próximo ao desânimo espiritual, enquanto isto, a palavra de Ezequiel 47 continuava queimando meu interior e incomodando meus pensamentos, sentia de Deus que a todo tempo me mandando mergulhar e não só molhar os tornozelos apenas, mas  comprometer de corpo e alma na missão, ou seja, entrar na água e molhar por inteiro. Um mergulho em águas mais profundas. Fiquei junto com alguns casais discernindo o que Deus queria ou como queria que respondêssemos a este mergulho na fé, nos reuníamos e orávamos, pedindo que se esclarecesse a vontade de Deus.

Por onde e como começar?

Percebemos que seria necessário abrirmos uma Associação e fundarmos uma Comunidade; tentamos de toda forma começar este Projeto de Deus em nossos corações. Participávamos do Grupo de Oração e amávamos muito o povo ali presente e com isso gostaríamos de carregar todos junto conosco, o Grupo de Oração contava com a presença de mais de 700 pessoas e cento e cinquenta líderes, porém não deu certo, nem todo mundo ali presente entendia o que significava abrir uma Comunidade. Sei que o chamado de Deus estava claro para nós, mas como responder a este chamado? E que este chamado era pessoal e não a todo Grupo.  Deus através de outras passagens da bíblia foi esclarecendo qual caminho e atitude tomar.  Palavra de Lucas Capítulo 14 versículos 15 a 23, nos deixava bem claro que deveríamos buscar todos os que estão nas encruzilhadas da vida, buscar os marginalizados e excluídos da sociedade.

Encontro com Cristo Crucificado

Neste tempo ouvi o conselho de muitas pessoas, mas principalmente Deus foi esclarecendo as coisas, até que um dia tive uma experiência maravilhosa com Deus em dois momentos de oração distintos antes de começar o Grupo de Oração Bom Pastor: Cheguei ao Grupo de Oração (quinta à noite) e me coloquei em oração, fechei os olhos e comecei a orar, foi quando de repente fui conduzido por Deus a um momento forte de oração onde não ouvia mais o som da música e fui conduzido a um lugar escuro, onde apareceram diante de mim dois olhos verdes e delicados, parecendo femininos que me olhavam fixamente enquanto em meios aos dois olhos surgiu uma cruz que veio em minha direção, quando bem próximo de mim, ao me alcançar, a cruz entrou em minha vida e os olhos sumiram diante de mim, e eu voltei em si, ouvi as músicas novamente tocarem, foi questão de minutos. Fiquei muito incomodado com esta experiência, não bastasse a palavra de Ezequiel 47 que não saia da minha mente e do meu coração, agora era esta experiência que me fazia refletir o que Deus me estava pedindo. Fiquei profundamente chateado comigo mesmo por não perguntar quem era? 

Passado aproximadamente mais de um mês, estava eu novamente na igreja no início do Grupo de Oração e novamente fui levado a uma profunda experiência parecida com a anterior, só que desta vez o que me pareceu foram dois olhos que transmitiam um profundo sofrimento, uma dor como nunca vi em minha vida nos olhos de alguém, aqueles olhos transmitiam um sofrimento tão grande que eu tive medo de olhar para eles, porém uma força maior não permitiu que eu desviasse meu olhar dos seus olhos, desta vez tive a coragem de perguntar “Quem és tu?” Quando fiz esta pergunta os dois olhos foi se afastando de mim e mostrando a parte de cima da cabeça e certifiquei então que havia uma coroa de espinhos e o sangue derramou pelo rosto até que sumiu diante de mim. Foi uma experiência única e apesar de meus pais serem muitos religiosos e eu caminhar toda minha vida na igreja, nunca havia tido uma experiência tão forte e profunda como esta. Como poderia haver tanta dor em um olhar só? Eu vi naqueles olhos um Deus próximo aos marginalizados e excluídos da sociedade, um apelo para eu ir ao encontro deles. Um desejo de ver Cristo naqueles que a sociedade mais despreza. Com todo respeito, mas preciso ser sincero e verdadeiro com a igreja, um apelo para ir ao encontro dos que a Igreja abandonou. Ao ler o documento CARTA APOSTÓLICA NOVO MILLENNIO INEUNTE DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II, me pergunto se esta experiência não vem de encontro ao apelo do Papa quando afirma:

II 

UM ROSTO A CONTEMPLAR

16. « Queríamos ver a Jesus » (Jo 12,21). Este pedido, feito ao apóstolo Filipe por alguns gregos que tinham ido em peregrinação a Jerusalém por ocasião da Páscoa, ecoou espiritualmente também aos nossos ouvidos ao longo deste ano jubilar. Como aqueles peregrinos de há dois mil anos os homens do nosso tempo, talvez sem se darem conta, pedem aos crentes de hoje não só que lhes « falem » de Cristo, mas também que de certa forma lh'O façam « ver ». E não é porventura a missão da Igreja reflectir a luz de Cristo em cada época da história, e por conseguinte fazer resplandecer o seu rosto também diante das gerações do novo milénio?

Mas, o nosso testemunho seria excessivamente pobre, se não fôssemos primeiro contemplativos do seu rosto; por certo o Grande Jubileu ajudou-nos a sê-lo mais profundamente. Concluído o Jubileu, ao retomarmos o caminho de sempre, conservando na alma a riqueza das experiências vividas neste período muito especial, o olhar permanece mais intensamente fixo no rosto do Senhor.

Rosto doloroso

25. E assim a nossa contemplação do rosto de Cristo trouxe-nos até ao aspecto mais paradoxal do seu mistério, que se manifesta na hora extrema — a hora da Cruz. Mistério no mistério, diante do qual o ser humano pode apenas prostrar-se em adoração.

Voltei em si e me lembro de que no final deste Grupo de Oração uma senhora, a Cida, se aproximou de mim com um presente em suas mãos e me presenteou, quando abri o pacote, certifiquei que era uma camiseta com dois olhos desenhados e escrito “Olhos firmes em Deus”. Compreendi que o chamado de Deus em minha vida iria trazer muito sofrimento e muita dor, por isso a cruz que saiu entre os olhos de Maria (primeira experiência) e os olhos sofridos de Jesus (segunda experiência) que apareceram pra mim. Vi a dor dos marginalizados, excluídos, dos que sofrem no olhar de Cristo. E vi também minha dor pessoal, que este chamado iria trazer para mim, com a cruz que saiu entre os olhos de Maria na minha primeira experiência. Não sei explicar o que aconteceu neste dia, nunca tive esta experiência antes, e me considero muito frio e calculista e até bem racional em relação à fé. Só sei que esta experiência juntamente com a palavra Ezequiel 47 não me deixava sossegado.

Queremos acolher os irmãos marginalizados com o amor de Cristo em obediência à Igreja que sempre amei e fui fiel.  Escrevi a Regra de Vida da Comunidade e levei ao Dom Amaury, então bispo Diocesano naquela época, que nos deu a sua benção e a benção da Igreja e começamos a viver como Comunidade. Dom Amaury revisou toda a Regra de Vida e aprovou a mesma em tempo de Experiência por cinco anos, disse ele. Quero lembrar que a Comunidade possui 16 anos de existência e que aguardamos com humildade e aceitação da Igreja Particular de Jundiaí uma resposta. Quero ser sincero também em dizer, pois meus pais sempre me educaram dizer sempre a verdade, que independente da decisão da Igreja, eu estou tranquilo comigo mesmo por ter sido obediente até este momento a Deus e a Igreja. Estou tranquilo e sei o que Deus me pediu, apesar de nem sempre estar esclarecido de sua vontade, aprendi que Deus está à frente e que a obra é dEle. Que minha decisão foi tomada e que me resta agora aceitar o discernimento da Igreja em relação a esta decisão. Eu não tenho dúvida alguma deste chamado. Sei que é algo novo e que estamos atuando e agindo onde a Igreja não está presente. Temos acolhido e amado pessoas que se sentiam desprezados pela sociedade e pela amada Igreja. Pessoas, que na verdade sem iniciativa de procurar ou como procurar a Igreja. 

O que mais desejamos é viver o amor de Deus a todos, sem interesse algum pessoal, a não ser viver o Reino de Deus. Todos nossos eventos, livros, cds e doações que recebemos destinamos para acolher os mais desfavorecidos em consonância com o apelo do papa Francisco, sendo uma Comunidade Pobre para os pobres. Pedimos humildemente ao Bom Deus e a Igreja de Cristo que nos deixe acolher todos os marginalizados e os que se sentem separados por algum motivo na sociedade. 

Que esta acolhida não seja apenas um trabalho de ONG, mas uma caminhada espiritual. Apesar de toda riqueza que nossa Diocese possui, a questão da miséria e da pobreza e da exclusão, ainda é um desafio a ser olhado e atendido com mais eficácia e amor sobre à luz da Doutrina Social da Igreja. O que nos dificulta e muito encontrar às vezes um sacerdote que possa nos orientar como diretor espiritual. Hoje temos a alegria de ter Padre Samuel como este diretor que tem acompanhado nossos passos e nos orientado espiritualmente. Eu não pedi para que este chamado viesse acompanhado destes sinais visíveis, que podem ser bom para minha certeza interior, mas também pode ser julgados como um excesso de iluminismo por aqueles que nos julgará. 

Mas conforme afirmei acima, meus pais me ensinaram dizer sempre a verdade, as pessoas que me são próximas sabem da minha autenticidade e me conhecem bem sobre minha sinceridade, afirmo que estas foram as manifestações de Deus em minha vida neste chamado a viver uma novidade dentro de uma Igreja que amo muito e cujo espírito é renovado e atualizado. Se elas são autênticas, não cabe a mim julgar, até porque não carrego dúvidas a respeito desta experiência e nem pretensão de querer saber mais que a Igreja de Jesus Cristo que deverá julgar livremente estes relatos. Não me acho melhor que ninguém, apenas me vejo, em um chamado que ao invés de ser orgulho é uma entrega e renúncia constante de vida. Seria muito mais cômodo para eu colocar “meu burrinho na sombra” e viver minha vida com minha esposa e filhas (era o que mais eu desejava antes desta experiência). Mas eu sei o que Deus me pediu e o quanto é difícil não fazer sua vontade. 

Entendo também o que este sopro representa para Igreja, e os temores que esta Igreja possui e até a tentação de querer ficar na zona de conforto diante de algo novo que Deus está fazendo. Mas espero que a Igreja não decida por caminhos seguros e limpos, mas que entenda que o amor de Deus precisa chegar a todos os seus filhos, preferencialmente onde estes caminhos tem lamaçal e são perigosos. Desejo que as Novas Comunidades possam ser conduzidas, orientadas e fazer a vontade de Deus, sem serem desfiguradas ou equiparadas com o que já existe. Da minha parte estarei obediente a qualquer decisão da Igreja como estive nos meus cinquenta e dois anos de vida, pois sei que é melhor errar com a Igreja do que sozinho, ou acertar com a Igreja do que sozinho. 

Tenho consciência, que as Novas Comunidades precisam ter uma referência na Diocese, precisam ter um norte, uma referência do que é realmente uma Nova Comunidade, a fim de não distorcer a vontade de Deus. Que Deus ilumine a Igreja Particular de Jundiaí para que decida com sabedoria e discernimento. Amém.

Gilberto Ângelo Begiato
Fundador  da Comunidade Acolhimento Bom Pastor


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