sábado, 30 de junho de 2018

Palavra do Fundador

  


“Ouvi-o!”

Palavra da Liturgia – Lucas 9, 28b-36

             
A cada ano na Liturgia do 2º Domingo da Quaresma vem perpassada do mistério da Transfiguração de Jesus. Por isso celebremos a prefiguração do mistério pascal de sua morte e ressurreição. Se o 1º Domingo da Quaresma vem marcado pelo símbolo do deserto, o 2º Domingo da Quaresma o é pela experiência da montanha. Subir a montanha é um exercício de amor, fé e oração. Na vida cristã todos querem estar no topo, mas são poucos os que aceitam o cansaço e o esforço de uma escalada. Mas o crescimento e aprofundamento da vida cristã se dão no momento da subida. Pular esta fase da vida cristã é jamais entender e valorizar o topo com Deus. Na vida cristã tem muito mais gente pedindo para remover as montanhas do que escalá-la. Apenas querem ver as mãos de Deus e não seu rosto.

Por isso, Pedro, Tiago e João, os discípulos mais achegados a Jesus são convidados a subir a montanha para orar. Jesus se transfigura diante deles, seu rosto transformou-se e suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. Os discípulos encantaram com a cena, pois tiveram a experiência da divindade que os envolve com sua glória. Tempo suficiente para que Pedro, esta pessoa extraordinária e espontânea, poder dizer: “Senhor, é bom estarmos aqui”. Toda humanidade no fundo deseja a felicidade que permanece para sempre.
            
Porém é bom lembrar que toda conquista se alcança pela luta diária, pela perseverança, pela renúncia. O topo espiritual com Deus é uma montanha que deve ser escalada um pouco a cada dia. Que o sentido da felicidade está mais na escalada do que no topo e que é alcançada a passos lentos. Por isso os três evangelistas colocam a transfiguração logo após a passagem da renúncia: “... aquele que sacrificar a sua vida por minha causa, recobrá-la-á. Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” disse Jesus.
            
Diz ainda a Palavra: que Moisés e Elias apareceram diante de Jesus dialogando com Ele. Moisés e Elias representam o Antigo Testamento. Moisés personifica a Lei e Elias o profetismo. Lei e profetas era o modo como os judeus chamavam a Bíblia. Para entendermos a Bíblia é preciso conversar com Jesus que veio justamente revelar-nos plenamente Deus a todos nós. O Antigo Testamento junto com o Novo Testamento, no qual Jesus é o centro das nossas vidas.
            
Isso fica ainda mais claro com a voz do Pai que declara:

“Este é o meu Filho muito amado, ouvi-o”.

O mesmo e único Deus, que se manifestou com sua voz no Batismo de Jesus por João Batista repete as mesmas palavras dizendo que Jesus é o seu filho amado e que tem toda a sua afeição. Deus credita a Jesus todo seu amor e confiança. O Pai se manifestou poucas vezes nos evangelhos, mas quando o fez foi para expressar sua essência: o amor.

Porém nesta passagem Deus acrescenta uma frase no final que diferencia da passagem do batismo: “Ouvi-o”. Ouvir é o principal comportamento que devemos ter diante de Jesus: “Ouve ó Israel”. Ouvir é fundamental para quem quer ser íntimo e discípulo de Jesus. É na arte do ouvir que reside a sabedoria.  Para conhecer é necessário o silêncio, depois o ouvir, para enfim praticar o ensinamento aos outros. Quando silenciamos permitimos o coração falar e a razão agir. Da mesma forma que muitos pulam a etapa de escalar a montanha para estar apenas no topo, assim também muitos pulam a etapa do silêncio e do ouvir para falar sem meditar. Uma palavra correta é fruto de uma meditação bem feita.
       
Jesus é a Palavra, a revelação plena de Deus e do seu projeto! A Ele é que devemos ouvir e obedecer. Quem ouve Jesus conhece o Pai. Portanto para caminhar ao encontro do Cristo Glorioso é necessário dar a vida pelo irmão, porém sem perder a alegria e a satisfação de servir: “é bom estarmos aqui” juntos com Jesus.

A luta nossa de cada dia só tem sentindo na promessa da Ressurreição que se renova no Tabor. A escalada para o Monte Tabor acontece na comunidade, no sofrimento, na oração, no estudar, no trabalho, na eucaristia, nos sacramentos, nos encontros e formações, no amor aos pobres, etc. O cristão que deseja remover as montanhas deve antes aprender que para removê-las é preciso tirar pequenas pedras do caminho sem perder a esperança e perseverança.  Aprende também que toda montanha tem subidas e descidas. Que a felicidade se encontra mais na escalada do que na pretensão de achar que está no topo com Deus.
      
Que nossa caminhada quaresmal seja vivida à luz da ressurreição! Se a fé realiza milagres, o amor faz de você um milagre. Se a fé remove montanhas, o amor move você. 


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