quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Palavra do Fundador

  


“... Quantas vezes devo perdoar...”

Palavra da Liturgia – Mt 18, 21-35

Celebremos a alegria de ser perdoado por Deus e a “obrigação” de perdoar quem nos ofende. Viver sozinho não é bom, viver juntos não é fácil! O que fazer?

A Palavra deste final de semana inicia com uma pergunta de Pedro a Jesus:

“Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”

Para o povo da bíblia o máximo de vezes que se devia perdoar eram quatro, e Pedro querendo se mostrar generoso diz sete, pensando que agradaria o pensamento de Jesus. Jesus respondeu:

“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.

O número sete na bíblia significa “plenitude” e um número “perfeito”. Quando Jesus diz a Pedro que ele deve perdoar setenta vezes sete significa perdoar sempre. Na proporção e intensidade do desejo de vingança. Que este perdão seja pleno e perfeito. Portanto, quem perdoa deve realmente perdoar de coração, ou seja, por inteiro e no fundo da sua consciência.

A falta de perdão acarreta para a vida, doenças. Nem todas as doenças é consequência da falta de perdão, mas há muitas doenças que são originárias do ódio. Quando alguém nos mágoa a melhor coisa é perdoar, pois quem perdoa é livre e sadio.

Você pode perguntar: E quem ofende? Eu diria que esta pessoa estará aprisionada enquanto não se arrepender, pois sua consciência não o deixará tranquilo. Diferentemente daquele que é magoado, pois carrega sobre si a possibilidade do perdão. Portanto, uma pessoa não tem o poder de ferir outra se esta souber utilizar da magnitude e plenitude do perdão sempre.  

A comunidade se constrói no amor, porém no amor entre pessoas frágeis. Todos nós um dia fomos necessitados também de perdão. Quem nunca errou contra o próximo?    Mas é possível perdoar? Jesus cita um exemplo de um rei que perdoou seu servo que lhe devia muito (340.000 quilos de ouro). Este servo, apesar de ter sido perdoado de uma grande dívida, por sua vez de forma egoísta não perdoou um de seus companheiros que lhe devia muito menos (cem dias de trabalho). O senhor sabendo do ocorrido, encolerizado entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida.

O rei representa aqui Deus que na sua infinita misericórdia nos perdoa sempre quando nos arrependemos de nossas dívidas. Deus nos perdoou primeiro em Jesus Cristo que pagou na cruz todas as ofensas. Portanto, se Deus nos perdoa tanto, por que julgamos, acusamos e condenamos os outros?

Somos chamados a amar e perdoar. O perdão é divino e só com a ajuda de Deus para conseguirmos realmente perdoar. Nós não somos chamados para julgar e sim para amar. O julgamento e a condenação pertencem unicamente a Deus. Somos perdoados na medida em que perdoamos. Na medida em que julgarmos seremos julgados por Deus.

Por isso a Palavra termina com a seguinte frase de Jesus:

“Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo o coração”.

Viver a religião não é uma atitude filosófica e sim uma prática concreta do amor e do perdão. Não se gera uma comunidade se não houver o perdão. Não existe irmandade se não houver perdão. Sem perdão não existe vida fraterna, vida conjugal, vida familiar... O perdão possibilita a própria existência e continuidade da comunidade.

Portanto, o perdão é sem dúvida alguma a expressão maior do amor!

Quem perdoa é livre! É livre inclusive de todo julgamento de condenação. Acha pouco?

Na celebração da eucaristia possamos pedir o perdão a Deus e que sua força nos ensine a amar e perdoar a fim de sermos felizes plenamente! Perdoar não fará que o caminho percorrido fosse livre das pedras, mas fará que o caminho a percorrer esteja livre. Um coração que perdoa é um coração leve e livre para amar.


Gilber†o Ângelo Begia†o
www.grupoacolher.com.br 

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