sábado, 30 de junho de 2018

Palavra do Fundador

  

“Ser o primeiro”

Palavra da Liturgia – Mc 9, 30-37
             
Celebremos neste final de semana os valores evangélicos!
            
Para que seus discípulos entendessem o Reino de Deus era importante que compreendessem com o espírito e não com a carne ou com a razão humana. A razão humana diz que para construir um reino é necessário riquezas, lutas, guerras, posses, violência, privilégios, etc. Jesus percebe que seus discípulos parecem imaginar que seu Reino seria parecido com o reino da razão humana. Por isso começa a explicar que o Reino que vai implantar é um Reino onde só os humildes tomarão posse, pois Seu Reino é de justiça e igualdade. Neste Reino, o poder para Jesus, é serviço ao crescimento do amor e da vida.
            
Começa falando que daria a vida, que o Filho do Homem seria entregue nas mãos dos homens que o matariam! 
            
Os discípulos não compreendiam que Reino é este que é feito e conquistado com a morte? Por isso para não confrontar com suas próprias vontades e mentalidade humana preferiram não perguntar nada. Enfrentar os paradigmas a fim de permitir que a vontade de Deus prevaleça exige muita coragem, por isso a Palavra diz que seus discípulos tinham medo de perguntar. Se um dia a sociedade tiver a coragem de questionar estes valores humanos, teremos uma revolução de verdade. Muitas vezes temos medo de ouvir a resposta de Deus para nossa vida e então criamos mentiras e enganamo-nos a nós mesmos para não ter que encarar a realidade e a verdade de Deus. Porém só a verdade liberta! O grande problema é que nossas covardias nos impedem de enxergar a vitória maior! Optar pela vontade de Deus é enxergar a felicidade e a luz da ressurreição na nossa vida!
            
Diz a Palavra ainda, que Jesus observou seus discípulos discutindo pelo caminho e perguntou-lhes o que discutiam? Eles ficaram calados, pois o assunto que debatiam é quem seria o maior entre eles. Veja não é esta a discussão constante que fazemos? Todos nós queremos mostrar nosso ser! Somos ambiciosos e o tempo todo querendo se sentir melhor que os outros. Vivemos em uma sociedade onde a pessoa é valorizada pelo seu status.Corremos o tempo todo preenchendo nossa vida em algo que nos identifique como valores humanos: quem sou eu? O que tenho? O que posso? Somos valorizados pelo que somos, possuímos e pelo que podemos! A tentação do deserto: ter, ser e poder. Com isso descartamos pessoas como se descarta uma coisa e os pequeninos acabam sendo marginalizados nesta sociedade hipócrita. A vida tem pouco valor numa sociedade onde o egoísmo impera.
            
A resposta de Jesus é um norte para caminhada humana e cristã:
            
“Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos”.
            
Pronto! Como entender esta mensagem com nossa mentalidade mundana? Como compreender que o último será o primeiro? Como sobreviver numa sociedade que inventa os últimos? Ser último é sinônimo de derrota e fracasso! A atitude de serviço que Jesus pede aos seus discípulos deve manifestar-se, de forma especial, no acolhimento dos pobres, dos débeis, dos humildes, dos marginalizados, dos sem direitos, daqueles que não nos trazem o reconhecimento público, daqueles que não podem retribuir-nos. Seremos capazes de acolher e de amar os que levam uma vida “pouco exemplar”, os marginalizados, os estrangeiros, os doentes incuráveis, os idosos, os difíceis, os que ninguém quer e ninguém ama?
            
O que Jesus disse não é nenhum absurdo! As palavras de Jesus são claras; o que não é claro, para a mentalidade desses discípulos, é que o caminho do Messias tenha de passar pela cruz e pelo dom da vida. A morte, na perspectiva dos discípulos, não pode ser caminho para a vitória. Para uma sociedade doente, a morte de Jesus é um fracasso. Absurdo é uma empresa, uma sociedade, um pai valorizar aquele que é ambicioso e está disposto a pisar em todo mundo, aquele que não tem escrúpulo, aquele que vive mais da aparência do que a própria competência. Imagine uma política onde as pessoas exercessem o poder para o serviço. Imagine se nossos filhos ao invés de educados para serem os primeiros, fossem educados para a solidariedade e respeito ao outro! Imagine se as empresas conseguissem enxergar a competência de um funcionário honesto? Teríamos com certeza uma sociedade mais justa! A ilusão travestida de “realidade” nos torna uma sociedade miserável.
            
Jesus ataca o problema de frente e com toda a clareza, pois o que está em jogo afeta a essência da sua proposta. Na comunidade de Jesus não há uma cadeia de grandeza, com uns no cimo e outros na base. Na comunidade de Jesus, só é grande aquele que é capaz de servir e de oferecer a vida aos seus irmãos. Por isso as palavras de Jesus é um consolo a todos os que sofrem injustiças e que têm coragem de enfrentar os falsos paradigmas criados na sociedade.
            
Na vida deveríamos viver a espiritualidade “do último”: Viver como se fosse o último instante ou ato da vida, e, portanto intensamente, da última oportunidade que aquele irmão pobre tem de ser amado, do último suspiro de dor daquele enfermo que precisa ser consolado, da última oportunidade de amar quem precisa, do último instante de elevar sua oração a Deus, da última vez em que poderá sorrir para alguém, da última oportunidade para abraçar e beijar quem ama, da última vez que poderá olhar para o universo e suas maravilhas, da última vez que terá oportunidade de perdoar quem lhe ofendeu, de realizar um ato generoso a quem precisa, de dizer o que realmente vale a pena ser ouvido... Enfim, viver a cada momento como se fosse o último. A espiritualidade “do último” torna a vida intensa. E só aquele que consegue viver uma vida intensa no que vale a pena, mesmo sendo o último será o primeiro no Reino de Deus.
            
Jesus finaliza a formação de seus discípulos tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes:
            
“Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou”.
            
Você já viu uma criança preocupada com o amanhã? A criança vive do momento, do presente, do instante que é agora como se fosse o último da sua vida. Ela confia nos pais! Se estiver triste chora e já se alegra! Se estiver magoada logo perdoa e tudo volta ao normal! As crianças vão aonde os pais vão e fazem o que os pais fazem! Receber um menino significa acolher os pequenos, os sem direitos, os pobres, os indefesos, os insignificantes, os marginalizados. São esses, precisamente, que a comunidade de Jesus deve abraçar. No contexto da conversa de Jesus com os discípulos, o gesto de Jesus significa o seguinte: o discípulo de Jesus é grande, não quando tem poder ou autoridade sobre os outros, mas quando abraça, quando ama, quando serve os pequenos, os pobres, os marginalizados, aqueles que o mundo rejeita e abandona. No pequeno e no pobre que a comunidade acolhe, é o próprio Jesus (que também foi pobre, débil, indefeso) que Se torna presente.

Ser criança significa, por fim, viver o hoje com a certeza que o amanhã depende do Pai e que somos muito mais parecidos com o Pai do que imaginamos! Aonde o Pai me levar, será o melhor lugar! O que o Pai fizer, será sempre para o meu bem. Confiança é um ato de fé e despojamento. Em Deus, aprendemos que é preciso deixar esta criança interior e alegre viver. O problema não está na criança que tem medo do escuro, mas nos adultos que fogem da luz. O que é o adulto se não uma criança que precisa de colo. Acolher Jesus na total confiança é experimentar o quanto é bom estar nos braços do Pai! Nos braços do Pai todos somos primeiros, pois todos somos um.

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